O Dia Antes

Sinopse

Dois mendigos, perdidos num qualquer espaço, acordam ao som de vozes de uma multidão e tudo lhes parece diferente. Interrogam-se se devem ou não segui-las. - Vamos? Ficamos?

Creo: É como se os cientistas já não acreditassem na ciência e os artistas na arte.
Duda: Como se as crianças já não acreditassem nos contos de fadas.

No desenrolar do tempo, sempre poético, Creo e Duda vivem as rotinas que há muito partilham, intercalando as situações dramáticas com a comicidade das situações absurdas que os dois vivenciam sem um passado e um futuro, sempre com a realidade do presente.
Creo: A esperança é a última a morrer!
Duda: Podemos morrer depois dela!

sobre

«O dia antes» é a terceira produção da trilogia «Sonhos», que se iniciou com a produção «Pelo sonho é que vamos», seguida pela «Entre paredes». As três produções resultaram da vontade de pesquisar e conhecer o universo dramático do escritor Raúl Brandão, enaltecendo a sua obra, sobretudo pela extraordinária relação com a realidade actual, trazendo para o palco um dos mais completos autores portugueses.

De todas as obras que sustentaram esta trilogia, a obra «Os Pobres» manteve-se como o fio condutor das adaptações dramatúrgicas. O universo dos sonhos individuais e colectivos, em confronto com o derrotismo e pessimismo, conduziram-nos à descoberta da esperança oculta na obra deste que é um dos autores verdadeiramente intemporal.

«Sonhos» assumiu-se como uma oportunidade de criação de um trabalho livre, uma criação utópica, apenas ditada pelo prazer de transformar a palavra impressa num acto vivo e dramático. O processo criativo fica marcado pelo intenso trabalho com outros criadores convidados e pela forte colaboração da Companhia Trigo Limpo Teatro ACERT de Tondela, em especial com o encenador Pompeu José, para além de assinar a encenação da primeira produção «Pelo sonho é que vamos».

No caso desta produção, «O dia antes», a ideia de criação foi ao encontro da vontade de entender a indefinição de um objectivo, de um desejo. Assumindo os conflitos entre a angústia e a expectativa de um dia que há-de vir. A obrigação e necessidade de se viver o “dia antes” como o único. O único capaz de preencher toda a vida, toda a realidade. Aquele que nos “mata a fome”.

A Árvore e a Primavera assumem-se como elementos cénicos simbólicos, presentes nas três produções desta trilogia. Neste espectáculo, a árvore é substituída pela sua sombra, com um forte sentido na encenação:
Duda: Vês a sombra? A sombra da árvore? Vês?
Creo: Sim. Assim que tiver flor, ficará mais bonita.
Duda: Na primavera…
Creo: Sim, na primavera.


ficha técnica

elenco

Fábio Timor
Isabel Feliciano

autorias

Textos originais de Raúl Brandão e Fábio Timor
Dramaturgia Fábio Timor e Glória de Sousa
Música Pedro Pires Cabral
Desenho de luz Ivo Castro
Fotografias de cena Manuel Pinto

classificação

M|12 anos

duração

60 minutos